terça-feira, 2 de novembro de 2010

Eu não Acredito [3] Curas clinicas e Espirtuais

Posted by Science World On terça-feira, novembro 02, 2010 0 comentários


Tendo em conta que todos os alimentos processados possuem um ingrediente proveniente de organismos geneticamente modificados e que os consumimos há 30 anos, é paradoxal afirmar que são prejudiciais, quando não há registo de uma única morte em todo o mundo por sua causa. Um dado que se pode confirmar é que, em 2008, 2000 norte-americanos perderam a vida por tomar aspirinas, e 300 ao tomarem banho em casa. Por que será, então, que ninguém pede para se aplicar uma moratória ao ácido acetilsalicílico ou às banheiras?
As medicinas alternativas e complementares (MAC) são outro dos focos mais activos do negacionismo científico. Um dos seus grandes propagandistas (com tiques de misticismo New Age) é Andrew Weil: afirma não com preen der a preocupação científica em  ter estudos controlados, que não são mais do que pormenores insignificantes, tanto para ele como para os seus seguidores. No mundo das terapias naturais, a constatação não é tão importante como a convicção. Segundo Weil, a medicina baseada em evidências “é uma forma de pensar que descarta as provas da experiência; temos de estar atentos à realidade não-material, à cura espiritual”. Advoga, essencialmente, que as particularidades pessoais estão ao mesmo nível ou acima dos ensaios clínicos.
Este modo de pensar explica posições como a do senador democrata Tom Harkin, o defensor político das MAC nos Estados Unidos. Em Março de 2009, Harkin declarou estar muito desiludido com o Centro Nacional para as Medicinas Alternativas, que tinha contribuído para criar. Motivo? Porque apenas se tinha dedicado, desde 1998, “a refutar coisas, em vez de procurar uma maneira de fazer aprová-las”.
O negacionismo nada tem a ver com o cepticismo alimentado pela ausência ou escassez de provas. Como assinalou recentemente, na New Scientist, Michael Shermer, director da Skeptics Society, há uma diferença subtil entre dizer “acredito no Big Bang” e “acredito na democracia”. Em princípio, a primeira afirmação pode ser confirmada ou refutada com recurso a melhores teorias. A segunda, não, pois depende da ideologia  ou, noutros casos, da religião. Os dados nunca poderão afectar as suas convicções.


Veja mais no Eu Não Acredito do Science World:
O HIV não causa a sida. As vacinas provocam autismo. O que é natural é mais saudável. São exemplos de teses defendidas pelos negacionistas, que insistem em fechar os ouvidos ou deturpar os dados científicos.

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